Causos meus e da minha família...
Foi um barato ter conhecido, finalmente, o professor belga de quem minha chefe tanto falava.
É o que me faz fascinar-me pela Fisioterapia dia a dia. Ele nos deu um curso de uma técnica manual esse fim de semana e nos mostrou algumas "mágicas" da osteopatia, em que ele é formado. Fogo foi entender o português-francês dele:
"Seu pulso doerr, non, Leleca?"
"Dói sim, como você sabe??"
"Dá parra sentirr que os ossos non estan nos lugarres... deixa verrr... hum... rrrelaxa"
Clac! Estalava meu pulso.
"Prronto! Agorra, deixa verr a espinha... humm... você terr prroblema na cerrrivcal" - CLAC! Estalava o pescoço - "prronto..."
Claro que dá medo deixar o seu pescoço ser manipulado - a posição que ele assumia era a de quem iria quebrar o meu pescoço! Mas que melhorou, melhorou e muito! Não sinto mais dor!
Mas, legal mesmo - mesmo - foi vê-lo dançando na Casa da Matriz.
Porque fui lá, ontem. E juro que nunca vi uma criatura dançante que fosse tão esquisita. Ao som do Rap (e com os efeitos de muita cerveja) ele pulava que nem Elvis e dançava como se fosse egípcio. Não dava para acreditar que o fisioterapeuta sério que estava dando curso para a gente mais cedo era aquela coisa que estava dançando do jeito mais estranho do mundo...
Enfim, coisa de gringo. Mas foi esse gringo palhaço que me fez pensar muito a respeito das minhas direções para o depois da faculdade... e querer ser alguém muito bom na minha profissão.
"Diante da Lei está um guarda. Vem um homem do campo e pede para entrar na Lei. Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, não pode autorizar-lhe a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde. -"É possível" - diz o guarda. -"Mas não agora!". O guarda afasta-se então da porta da Lei, aberta como sempre, e o homem curva-se para olhar lá dentro. Ao ver tal, o guarda ri-se e diz. -"Se tanto te atrai, experimenta entrar, apesar da minha proibição. Contudo, repara, sou forte. E ainda assim sou o último dos guardas. De sala para sala estão guardas cada vez mais fortes, de tal modo que não posso sequer suportar o olhar do terceiro depois de mim".
O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser acessível a toda a gente e sempre, pensa ele. Mas, ao olhar o guarda envolvido no seu casaco forrado de peles, o nariz agudo, a barba à tártaro, longa, delgada e negra, prefere esperar até que lhe seja concedida licença para entrar. O guarda dá-lhe uma banqueta e manda-o sentar ao pé da porta, um pouco desviado. Ali fica, dias e anos. Faz diversas diligências para entrar e com as suas súplicas acaba por cansar o guarda. Este faz-lhe, de vez em quando, pequenos interrogatórios, perguntando-lhe pela pátria e por muitas outras coisas, mas são perguntas lançadas com indiferença, à semelhança dos grandes senhores, no fim, acaba sempre por dizer que não pode ainda deixá-lo entrar.O homem, que se provera bem para a viagem, emprega todos os meios custosos para subornar o guarda. Esse aceita tudo mas diz sempre: -"Aceito apenas para que te convenças que nada omitiste".
Durante anos seguidos, quase ininterruptamente, o homem observa o guarda. Esquece os outros e aquele afigura ser-lhe o único obstáculo à entrada na Lei. Nos primeiros anos diz mal da sua sorte, em alto e bom som e depois, ao envelhecer, limita-se a resmungar entre dentes. Torna-se infantil e como, ao fim de tanto examinar o guada durante anos lhe conhece até as pulgas das peles que ele veste, pede também às pulgas que o ajudem a demover o guarda. Por fim, enfraquece-lhe a vista e acaba por não saber se está escuro em seu redor ou se os olhos o enganam. Mas ainda apercebe, no meio da escuridão, um clarão que eternamente cintila por sobre a porta da Lei. Agora a morte está próxima.
Antes de morrer, acumulam-se na sua cabeça as experiências de tantos anos, que vão todas culminar numa pergunta que ainda não fez ao guarda. Faz-lhe um pequeno sinal, pois não pode mover o seu corpo já arrefecido. O guarda da porta tem de se inclinar até muito baixo porque a diferença de alturas acentuou-se ainda mais em detrimento do homem do campo. -"Que queres tu saber ainda?", pergunta o guarda. -"És insaciável".
-"Se todos aspiram a Lei", disse o homem. -"Como é que, durante todos esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar?". O guarda da porta, apercebendo-se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase inerte: -"Aqui ninguém mais, senão tu, podia entrar, porque só para ti era feita esta porta. Agora vou-me embora e fecho-a"."
Diante da Lei -
Kafka
E, por alguns caminhos, apenas nós podemos passar. Conformar-se é devanescer.
Eu só quero forças para não me deixar machucar - dia após dia.
Vi "A Liga" hoje. Primeira sessão. Porque esqueci a chave de casa e fiquei trancada do lado de fora; como o cinema é aqui pertinho, fui lá ver um filminho enquanto esperava minha querida mamãe chegar.
E almocei pão de queijo com jujuba. E coca light, para não perder a mania.
Coisa de mulher.
"Eu quero o poder de não julgar o mundo
Eu quero a força de ser sensível
Quero a leveza de ser profundo,
E alcançar o que parece impossível.
E sempre, sempre ouvir a voz que me chama
Vocatus de minh'alma em favor da humanidade
Nunca mais quero trair meus princípios
e antes de ser agradável, ser a própria lealdade
ainda que não me compreendam,
Quero me compreender cada vez mais.
Se tiver que me perder para me sentir,
Extravazar-me-ei, como o mar o faz.
E se descobrir que apenas orvalho sou,
Quero o brio de ser inteira
Dispor tudo que sou no mínimo que faço
E não obstante pequenina,
Serei grande, completa e verdadeira.
Quanto maior eu for, mais humilde eu quero ser
Pois humildade não é aviltamento,
mas enxergar o que os olhos materiais não podem ver
E depois de tanto querer
quero ainda que meus desejos
sejam o pilar do meu desenvolvimento
passando da simples intenção, à força moral consolidada
Em vez de folhas soltas ao vento.
Lastimo, a despeito de tudo, não ser tudo que quero.
Mas como querer é quase alcançar,
no afã de encontrar o Eu idealizado
Não viverei na inércia da rocha,
mas no eterno renascer do mar..."
Da lindíssima
Kelly, minha amiga do peito. Ficou tão bonito que eu resolvi tirar dos cometários e publicar aqui!
Mile baci, ragazza!
Televisão, definitivamente, é uma máquina do demônio.
Então, o Gugu apresenta dois atores se passando por integrantes do PCC, que fazem ameaças a políticos, jornalistas e até ao padre Marcelo Rossi, é proibido de apresentar o programa Domingo Legal nesse domingo e, ao invés do SBT acolher a decisão da Justiça, faz uma manobra para que este idiota de marca maior apareça no programa do Sílvio Santos - teoricamente ele não está apresentando o Domingo Legal - sem ser multado!
Vai dizer o quê? Que ele não sabia que eram atores? Que foi tudo uma grande brincadeira?
Isso é mais uma prova do quão patéticas são as questões de justiça no Brasil. Uma pessoa faz uma coisa que prejudica os outros, em cadeia nacional, num programa de - em tese - deveria divertir os outros, e procura meios de se livrar das conseqüências.
Bando de ratos. Que raiva eu sinto dos canais abertos.
E, agora, vamos a coisas boas:
O blog do Andre Chen é muito bacana, se você gosta de ler opiniões sobre política. Chama-se
Nas Entrelinhas, e vale a pena dar uma olhada!
(E já devidamente linkado ali do lado)
Existe um artista que descobri há pouco tempo e de quem já tenho diversas músicas: chama-se Sigur Rós. Foi ele o responsável pela belíssima Njósnavélin, ou "The Nothing Song", tocada no final do filme Vanilla Sky. O filme não é lá grande coisa, mas a música.... lindíssima!
Essa página tem vários links para as mp3 dele.
De acordo com meu irmão, minha vida segue os passos de um conto de Fernando Sabino.
Sexta feira saí mais tarde do estágio por conta de uma aula que tivemos, e sozinha fui para o ponto de ônibus já pensando na demora da viagem de volta, e no sol escaldante que estava fazendo.
Lá pelas tantas, um homem apareceu, aparentava talvez uns trinta anos de idade; era bem pobre, haja visto suas roupas rasgadas, seu cheiro, sua boca sem dentes limpos. Carregava consigo uma mala enorme, do tamanho de seu tronco, pesada.
Sentou-se naqueles bancos de ponto de ônibus, reclamando de algo ou alguém, largou a mala no chão e, ofegante, suado, disse:
"Porcaria de vida! Não consigo vender nada! Nunca consigo!"
Eu olhava para ele. Claro que fiquei com medo - sozinha no ponto de ônibus, qualquer mulher é presa fácil. Apertei minhas coisas contra meu peito e lá fiquei, em silêncio, até que ele falou:
"Não é fácil não, viu? Viver essa vida, não é fácil, meu Deus..." - enquanto enxugava o rosto e - creio - umas lágrimas também. "Pega essa mala, moça" - ele disse - "sente o peso dela."
Peguei a alça da mala, mas não consegui levantá-la.
"Eu não consigo vender nada..."
Talvez tenham se passado uns dois minutos, até que eu decidisse o que fazer. Pedi licença, ele sorriu o sorriso sem dentes dele:
"Tudo bem, moça.... tudo bem."
Logo atrás do ponto, havia um senhor vendendo água de coco. Pedi um copinho, e meu ônibus chegou. Ágil, o homem colocou a água de coco no copo e pegou meu dinheiro, enquanto eu fazia um sinal desesperado ao motorista para que me esperasse.
"Toma, moço!" - com pressa, dei a água de coco ao moço da mala pesada.
"Ué, não vai querer não?" - ele me pergunta, sem entender, enquanto eu corro para a escada do ônibus.
"Não, essa água eu comprei para o senhor mesmo!" - já dentro do ônibus, eu grito.
Deu tempo de ver, dentro do ônibus, o sorriso sem dentes do moço com a mala pesada para mim, enquanto eu acenava um adeus para ele - com certeza, um dos sorrisos mais sinceros que eu já recebi.
Não sou nenhuma Santa Francisca de Assis.
Não posso mudar tudo - eu sei - mas eu pude mudar um momento ontem. E, talvez, o rumo de uma vida, quem sabe? Talvez, ainda, estejamos muito acostumados a esse sofrimento eterno - a vida alheia passa na nossa frente dia a dia, enquanto nos tornamos duros para o resto do mundo.
Eu já falei do estágio milhões de entediantes vezes aqui, mas, repetindo-me, aprendo muito lá, do momento que um garotinho me abraça porque eu estou de branco, ao momento que uma senhora que sabe que vai morrer me diz, em reposta aos meus desejos de muita sorte na vida: "mas eu tenho sorte."
Talvez seja essa querência ter a alma perfumada de flores ao final do dia, que nem eles. Só isso.
Eu preciso confessar uma coisa a vocês.
Voltei a assistir Cavaleiros do Zodíaco - devo manter-me atualizada acerca das aventuras de Seya para conversar com meu paciente de onze anos, que os adora.
Esse "sacrifício" (ponho entre aspas porque, vá lá, eu gosto de desenho animado) já me rendeu um elogio do professor: eu sou a única terapeuta com quem o garotinho conversa!
Heh.
Este estágio em Neurologia está me confirmando um lado da vida que a gente sabe existir, mas só em tese.
Porque é difícil, muito mesmo, sorrir e manter o otimismo frente a tanta doença - eu sei que ando me repetindo aqui.
É que é tão irônico que à vida, como ela se apresenta para nós, seja dado o merecido valor apenas quando esse valor é retirado, por inteiro. Quando todas as possiblidades de uma vida dita normal são apagadas e tudo o que resta é recomeçar de uma maneira diferente, excludente às vezes...
Quando todo o imaginário da beleza cotidiana - poder mover seu braço, coisa simples assim - é despedaçado.
Será que eu teria forças para aguentar, fosse eu a paciente e não a fisioterapeuta?
Eles sorriem, contudo.
Ri muito com a Nana hoje...
"Toma aqui o seu encaminhamento" - estende o encaminhamento de alta para o paciente.
"Obrigado, doutora."
"De nada, disponha."
Três minutos depois:
"Doutora, é que a senhora errou meu nome..."
"Hum?" - lê o nome - "O senhor não é o Admílson?"
"Não senhora."
"Então qual o seu nome?"
"Abervaldo."
"Er... então deixa eu consertar seu nome aqui, seu Abelard... Abervaldo, desculpe..."
E, no fim do dia, um presentinho de Deus.
Estava levando o senhor que tem dificuldade de andar para fora do ambulatório, já que o tratamento tinha acabado. E, no corredor, vejo ao longe uma criança correndo em nossa direção. Armei-me para segurar o senhor caso ela esbarrasse nele e ele se desequilibrasse.
Crianças são crianças, esbarram em tudo, e foi o que aconteceu. Mas o que NÃO aconteceu foi o senhor desequilibrar-se e, não obstante, vejo-me no instante seguinte sendo agarrada pela pequena.
Fiquei sem saber o que fazer. Olhei para o senhor - ele estava bem; atônito, porém ainda sobre as duas pernas.
Olhei, então, para a criaturinha agarrada à minha cintura.
"Bú!" - ela me disse.
Eu ri. Passei a mão na cabeça dela, enquanto a mãe a puxava, desculpando-se:
"Desculpe, desculpe... toda vez que ela vê alguém de branco, sai correndo para abraçar achando que é doutora..."
O
Gato Preto me disse uma coisa correta: vontade de viver emociona.
Estou tratando um senhor de oitenta anos de idade, que teve múltiplos acidentes vasculares encefálicos (derrames), e por isso ficou bastante acometido: seu tronco é rígido e não faz rotação dissociada (é como se o tronco fosse um bloco só, ou seja, ele, para olhar para os lados, vira o tronco inteiro), não consegue elevar os braços acima da cabeça, não anda direito, e tem muitas dificuldades na mecânica da fala; é muito difícil entender o que ele está dizendo.
Por ter esse tipo de incapacidade, esse senhor não consegue fazer muitas atividades de vida diária que todos consideramos normais, como sentar-se sozinho, levantar-se de uma cadeira, andar sem a supervisão de alguém. E hoje, ao conseguir levantar-se sozinho da cadeira, ele me disse, naquela dificuldade toda que ele tem:
"Nunca tinha conseguido levantar, e hoje eu consegui. Hoje eu consegui!"
E riu aquele riso cheio de dentes e cheio de alegria, pois tinha conseguido levantar-se de uma cadeira.
Fiquei rindo com ele, porque não queria chorar ali.
Havia passado a primeira semana do estágio em completa tristeza: eu vejo, todos os dias, jovens e idosos com comprometimentos difíceis de serem tratados, e - convenhamos - isso deprime mesmo. Ver um jovem de dezessete anos que teve um tumor cerebral e não consegue mexer um lado do corpo ou controlar a urina; ver uma senhora de trinta anos com os membros rígidos devido a uma doença inflamatória na medula; ver uma criança que perdeu a capacidade de levantar o pé pois levou um tiro na perna - eu estava considerando seriamente largar tudo e ir fazer teatro, vez que o faz-de-conta é muito melhor que essa dose exagerada de realidade.
Mas esse senhor me ajudou. O sorriso dele era tudo o que eu precisava.
Essa cara de papel amassado ficou bonitinha, não?
Adicionei aí do lado o blog de uma querida amiga, que não via há tanto tempo! Afastada pela tendinite (é, caríssima, se o tratamento fisioterapêutico fosse comigo, não teria ficado tanto tempo sem mexer no computador, hein? hein?) durante seis meses, ela retorna com força, brincando com as palavras, como sempre...
Ah! Quem Faz Sentido É Soldado, e só eles, afinal...
Hoje a galera está indo para a Ressaca da Fisiofest, na Symbol. O que me deixa verdadeiramente chateada e imensamente inconformada com o fato de ter quase que inteiramente amigos homens é que todo mundo - inclusive eu - é pobre, não tem carro e eu tenho que voltar a pé. Ruim? Não seria, se eu morasse mais perto. Mas a queridinha de Murphy mora longe, a uma serra de distância do centro da cidade, então... sem carro, sem festa. Ainda mais para voltar às sei lá quantas da manhã.
Sem problemas. Minha fase de lamentações está em animação suspensa - era TPM.
Meu pai deu-me uma notícia boa hoje: seu computador voltou a funcionar e, com ele, todas as minhas esperanças de recuperar uma vida inteira armazenada nos pequenos circuitos daquele serzinho misterioso ressucitaram. Quase três semanas se passaram desde que apareceu uma mensagem misteriosa sobre algum disco que tinha que ser istalado, inserido... er... rebobinado e esses termos escalafobéticos que os infonautas usam. O caso é: o dito cujo não entrava no Windows e ponto final, nem-te-ligo, ó, ó.
"É vírus, pai?"
"Vai saber..."
"É algum disco que tem que ser trocado, pai?"
"Vai saber..."
"Já sei. É coisa do disco rígido, né, pai?"
"Vai saber..."
"É grave, pai?"
"A-ham..."
E assim passaram-se as três semanas de ansiedade em virtude da quase eutanásia de todas as mp3, documentos e um livrinho que estava escrevendo, até meu pai me dar a notícia: salvaram-se todos!
"Mas... como assim, pai? Voltou a funcionar do nada?"
"É!"
"E o que você fez?"
"Coloquei o micro de cabeça para baixo."
"Hã?"
"Precisei usar uma tomada, virei o micro, quando religuei, ele estava funcionando."
"Então, vamos recapitular. Consideramos gastar um dinheiro abissal com o conserto do computador quando, noves fora nada, era só uma questão de mudança de lugar? Ah, tá. Então eu vibro no chakra cundalínico do micro da próxima vez, harmonizo o campo espiritual dele, viro de cabeça para baixo e ele volta a trabalhar."
"Vai saber..."
O mais curioso é que eu não acreditei e - Senhor! - devo constatar agora, após testemunho de cunho visual e virtual, que o micro está ativo e operante. Virado para baixo, mas - quem liga? No manicômio onde vivo, no bairro depois da serra, terra de Malboro onde só se anda de cipó, é claro que isso é normal.
(alguém aí lembrou da frase "software é o que eu xingo, hardware é o que eu chuto"?)
Heh.
Depois eu dou o endereço do site onde fiz isso....
Uma folha colorida dentro da mochila chamou a sua atenção. Ela dizia:
"Uma vida regrada, presa a conceitos que nem sempre são seus, é loucura; a vida é sem sentido se você não pode ser você, ter suas opiniões, tomar suas decisões, se vive sendo alguém que todos esperam você seja.. e não o que você é..
Viver a vida seguindo suas vontades, seus desejos, seus anseios, fazer da sua vida um lugar agradável, principalmente pra você, o mundo é seu, é de cada um de nós, nosso destino é feito por nossas escolhas que erradas ou certas são nossas, e vão nos conduzir cada vez mais para um caminho parecido conosco, o tempo vai passando e o seu mundo vai ficando cada vez mais parecido com você, é isso que faz de nos pessoas melhores, mais seguras e com força para viver feliz e tornar a vida dos outros felizes.
Se você não esta feliz, se seu mundo não parece com você...Tome suas escolhas e o transforme em você..
Algumas pessoas têm naturalmente o Dom de fazer os outros felizes, mas às vezes precisam de um colo para se tornarem mais confiantes - dar soco em ponta de faca não resolve nada, existe a necessidade básica de ser amada e de estar feliz para que o resto simplesmente flua....
Fazer as escolhas que nos fazem felizes, não é uma opção, é uma obrigação que você tem para consigo....
Ser feliz e lutar por isso é o sentido do mundo e o sentido da existência.
Com a felicidade presente, todo o resto, todos os planos, todos os desejos, a alegria a harmonia surgem sem esforço e acaricia a todos, a você e a quem você ama ou simplesmente está perto de ti..
A inspiração bateu e eu escrevi, não sei se esse texto faz sentido...mas achei que devia mandar para você.
Um beijo de seu amigo."
Ao longe, conseguiu ouvir: "guarde essas palavras no coração".
E guardou.
Sete de Setembro...
Independência? Quando?
O que eu vou fazer?
Vou abrir a janela e deixar que o sol entre. O dia foi belo. O calor me fez bem. A conversa me animou. Tocou Renato Russo na rádio e eu gostei; ouvi o CD inteiro do Rush - Couterparts, comi uma coisa de maçã gostosa, fui a um campeonato de surf e jantei batata rostie.
Um fim de semana fora da realidade faz bem, sim.
Eu Escrevi um Poema Triste
Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
Mário Quintana - A Cor do Invisível
Não há por que, só isso. Um amigo verdadeiramente fiel me disse que meu comportamento é compulsivo, e eu digo mais: é mesmo. É, e não adianta nada reclamar. Meu trabalho é sem sentido, meu estudo está estagnado, minha energia está falha e eu preciso urgentemente de coisas mágicas e instantes pequenos, peças do meu quebra-cabeças de mil peças, olhos do meu espelho de mil olhos. Pois então, não é de um todo que se vê a vida, mesmo faltando alguns pedacinhos? E se faltam muitos pedacinhos, como fica a vida? Um grande buraco, isso sim.
Só que eu quero mais, eu não quero me contentar com essa vidinha que eu levo; eu quero ser grande, voar muito alto e desaparecer das vistas daqueles que se contentam com pouco, que olham para baixo e que são covardes. Porque eu detesto covardes, detesto as desculpas babosas de quem tem medo, muito medo de correr um risco sequer. Usam todos os seus adjetivos babacas para encontrar uma razãozinha tola para todas as suas ações, e nunca correm para pegar um ônibus, dão um sorriso para um estranho, se deixam levar por algo que acreditam que seja um sinal da vida. Porque eles existem, se você quer saber.
Nascer já é um risco danado, você pode ser atropelado no meio do dia e até mais, nos vemos na espiritualidade, se é que você acredita nisso. Não digo que devemos seguir todos os impulsos, mas a vida está aí, florescendo. Eu digo isso para mim mesma todo dia, eu quero mais que isso, quero ser mais do que eu sou, quero ser melhor, quero ajudar mais gente, quero mais que dinheiro, quero mais que um trabalho, eu quero viver a minha vida e nunca me arrepender de ter deixado alguma coisa para trás. Ou de ter carregado alguma coisa comigo.
Sim, eu sou ambiciosa. Sou manipuladora. Quero ter dinheiro para fazer as coisas que eu desejo na vida. Sou orgulhosa. Já me recusei a ajudar pessoas. E quando esses momentos de balde esvaziado aparecem, tudo isso volta na minha cabeça e eu sou a perversão das minhas idéias e os meus ideais. Hoje, atualmente, eu me entrego de corpo e alma ao meu trabalho (muito mais corpo que alma, diga-se de passagem), porque sou cobrada a cada instante e avaliada a cada suspiro errado, e eu, por definição, quero ser a melhor possível.
Só que está faltando um sentido nisso tudo. Está faltando amor por isto tudo, por tudo que tenho feito, pelas pessoas que me cercam, pelos pacientes.
É que tem muita coisa errada, faz tempo.
Eu... quero.... minha... caixa... de...
COMENTÁRIOS!
(bufando de raiva pelo aspecto silente do blog)
Love seekth only self to please,
To bind another to its delight,
Joys in another loss of ease,
And builds a Hell in Heaven's despite.
Acho que é do William Blake.
Para os puros, tudo é puro; para os porcos, tudo é porco.
Faz pensar no modo como vemos a vida...