Causos meus e da minha família...
sábado, dezembro 25, 2004
 
Este é o final de uma fase.
Este blog acaba aqui; quando eu voltar, estarei em outro lugar escrevendo sobre outras coisas.
:)

Até então, o que eu vejo está no meu fotolog. É lá que se me encontra.
E até mais!
 
quarta-feira, outubro 13, 2004
 
Tudo para renascer precisa morrer primeiro. Silêncio povoa a boca, a mente, embora urgente seja desabafar. Metade abrigo, metade cansaço, disse o poeta. E a poesia nada mais é que a interpretação de vida.

Eu volto, mas não agora, nem amanhã.
 
quinta-feira, setembro 23, 2004
 
As paredes apertam, mãe.

.

 
sexta-feira, setembro 03, 2004
 
Ontem foi um dos dias mais felizes que eu já tive: o dia da minha formatura festiva.

Costumava dizer a uma amiga minha que, quando pensava na formatura da faculdade, me sentia em cima de um prédio sendo empurrada para o vão, prestes a cair deste - lá embaixo, o famigerado "Mercado de Trabalho".
Agora já fui empurrada, a sensação é de uma estranha liberdade. Como se o prédio fosse um grilhão. Essa queda é uma espécie de redenção, acho.

Será que é loucura?

E é tão clichê pensarmos "não quero crescer"; mas a todo momento crescemos, a todo momento. E, em alguns pontos da nossa vida acabamos recebendo "certificados" desse crescimento. Ontem, as fotos de quatro anos de faculdade foram mostradas num telão para os familiares orgulhosos - e para nós, testemunhas únicas do quão difícil foi caminhar até aqui, até onde me situo agora. Olhamos pelo espelho e vemos que cada passo errado, talvez até mais que os certos, valeram todas as lágrimas e pressões e pessimismos. Somos tão diferentes! Sou tão diferente!

Amadurecemos como não imaginaríamos antes; ao contrário do que eu imaginava, o agora não me dá medo - antes, ele me liberta.
 
terça-feira, agosto 17, 2004
 
Agora não tem mais volta. Está lá escrito: concluído o curso de Fisioterapia no dia 17 de agosto de 2004, devidamente assinado pelo diretor da Faculdade de Medicina da UFRJ.
Agora não tem mais volta - sou Fisioterapeuta!

Minha mãe disse que está morrendo de orgulho de mim. Acho que eu também!
 
sábado, julho 31, 2004
 
Oficialmente, tenho mais uma semana da minha primeira (senão única) vida acadêmica como graduanda. Dia 17 de agosto será o dia em que assinarei o livro e ganharei meu CREFITO.
Admitir-se com medo é das coisas mais fáceis. Encará-lo, de frente, olhá-lo nos olhos... essa é a parte complicada da história.
Falta uma semana. Uma.
 
segunda-feira, julho 26, 2004
 
Duro deveria ser àquela senhorita distinta que a olhava, vê-la assim, de olhos vermelhos a repetir-se que havia sido fiel ao código moral que se havia imposto. Velhas lágrimas, velhas lágimas. Ainda assim, compadecia-se da pobre, que à sua frente chorava as pitangas da tal ferida maltratada pelo tempo e, diga-se de passagem, por quem quer que estivesse à volta. Como aquele cachorro que todo mundo chuta, inclusive o dono.
Mas o dono do cão e o cão eram no fim da história o mesmo ser, então o conto era antigo: ela feria o cão e se feria, num processo progressivo de autodestruição. Lágrimas, lágrimas. E o correto? E o admissível? E o que se torna no fim o final feliz? Adiantaria descabelar-se sobre um leite derramado, azedado, evaporado...? Bola pra frente que atrás vem gente, a hora é essa, agora está valendo, hora de seguir em frente. A vida, dentre tantas outras coisas, também é feita de clichês, este incluído.
Mas vai dizer isso ao coração, ao dono/cão ferido. Qual a solução? Apesar do peso, seguir; apesar dos nomes, andar; apesar da respiração, viver. As velhas lágrimas - enfim! - moveriam os moinhos da mudança interior a cada dia proposta.
Necessário um passado para uma identidade, um dia para o outro. Olhos inchados da vazão dessa represa para que o sorriso fique belo, leve. Ela sorriu e era mais leve vê-la sorrindo, mesmo com olhos inchados. Talvez houvesse, sim, a tal razão para tudo e no final, tudo ficaria bem.
Duro deveria ser àquela senhorita distinta que a olhava, fosse ela dotada de alma outra que não a da pobre que chorava as pitangas mal lavadas; e justo por estar lá, olhando-se e conversando consigo, conseguiria enxergar mais fundo e mais longe. Pegou um batom e escreveu: "tudo passa". Do lado de lá, a menina reflexamente repetia o gesto e contemplava o que havia escrito em seu espelho. Soltou um riso amarelo e maneou a cabeça - não é fácil crer, não é fácil crer, em especial quando a ferida já é de há tantos anos. Mas deixou lá. Quem sabe?
 
sexta-feira, julho 23, 2004
 
Separara a pesada bagagem e a deixara no chão, voluntariamente. Ou talvez esquecera-se dela, quem dirá? Aos olhos dos passageiros a bagagem fora deixada por ímpeto próprio, mas aos olhos próprios a bagagem não comportava o que levava, daí sua inutilidade.  "Com licença", diria, a ácida educação proferida leve como as flechas dos índios. Mas o objeto no caminho não o veria passar, pois longe estava já, rumo feito, a estrada era sua. Todas as estradas eram as suas. Caminhava rápido, não com a petulância dos rios e das árvores; caminhava qual ratazana no meio do jardim, camuflada de flores belas. Arrogante, avançava por entre as gentes de todos os caminhos, apertando contra o peito um negro livro onde havia todo o conhecimento humano - e já o lera três vezes.
Apertava-o. Sabia-o. Entendia-o. Respirava-o. Alçava-o aos céus e dizia "ei-lo, meu Deus, o conhecimento que deste aos homens. Ei-lo comigo". E saía da estação, entrando no jardim, inocente de sua condição.
 
sábado, julho 17, 2004
 
Uma Alegria Para Sempre
Mario Quintana
Para Elena Quintana
(e para mim também)
 
As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se -
depois de tudo - tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
- disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.
 
terça-feira, julho 13, 2004
 
Estou há 10 dias com meu dedo inchado, porque aparentemente dormi em cima dele quando voltava de São Paulo. Soube na sexta feira que tinha que entregar todos os documentos para a faculdade até esta quarta. Um deles é a cópia do meu título de eleitora, que eu havia perdido. Achei ontem de manhã, quando me arrumava para ir tirar a segunda via do título, num potinho na cozinha, na cozinha mais inexplicável do mundo. Fui na escola onde fiz o segundo grau, carimbei o diploma dizendo que a escola pública é isenta da publicação dos formandos no Diário Oficial. Autentiquei todas as cópias e gastando catorze reais e uns quebrados. Gastei minha última foto 3X4 na ficha do diploma. Levei na Coordenação de Fisioterapia.

Estava fechada.

Porque quando é para dar errado, é para dar errado em CAPS LOCK, puxa vida.

E o dedo continua inchado e doendo.
 
 
Sonhei há tempos que passava por uma porta estreitíssima, que o peito estava oprimido, e que havia alguém ao meu lado.
Quando é que a passagem estreita vai terminar?
 
terça-feira, julho 06, 2004
 
Quando nos alongamos, há um momento de dor ao que nos acostumamos após alguns segundos naquela posição, para logo depois conseguirmos ir adiante e alongarmo-nos mais.
Assim é a vida: quando achamos estar em equilíbrio, ela nos põe em situações que nos deixam agitados, intolerantes, incapazes até. E temos que ficar ali, naquela situação de dor, buscando o nosso equilíbrio. Faz parte do "saber-se".

Busca. Instrospecção. Revisão dos valores de correto e incorreto. Conceitos e metas. Atitudes. Daqui a pouco eu morro, só para de novo ser. Que flor floreia sem perder as pétalas primeiro?
 
sexta-feira, julho 02, 2004
 
Às vezes, até pela minha natureza "artística", eu sinto vontade de mudar de profissão e virar, sei lá, escritora. Mas aí todas essas coisas vão por terra ao perguntar ao paciente a "queixa principal", ou seja, o que o incomoda para estar no ambulatório, e escutar uma história de vida.
É uma das boas coisas da profissão.
 
domingo, junho 27, 2004
 
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
E nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Almir Sater e Renato Teixeira - Tocando em Frente

É que estou sem tempo para escrever. Mas o Almir Sater (assim como o Toquinho e o Vinícius, e tantos outros fizeram) escreveu o que eu ando sentindo: que tudo na vida tem essa razão inexplicável, que só vai fazer sentido muito à frente na estrada. E, nas palavras dele, não somos nós a estrada?
 
terça-feira, junho 22, 2004
 
Ergueu a taça - um brinde ao fim.
"Eu minto: há nessa paz ainda a guerra
Este mim desenterrado,
Assassinado e ainda vivo.
Mágoa teimosa
Como pode o fogo viver em água,
E a terra reviver honrosa em seus dias de rosa queimada?"
 
sexta-feira, junho 18, 2004
 
Estou revivendo a alegria de tratar pacientes com esse estágio em Ortopedia. Há, mais uma vez, um tal Fulano que me ensina muitas coisas. Esse Fulano fez uma operação no joelho e está no pós operatório lá no nosso ambulatório.
Fofo, ele.
Adorava futebol. Era goleiro nas peladas, mas me contou dia desses que gostava mesmo era de correr atrás da bola, e que desde dezembro do ano passado não joga bola. "Você ainda não pode", eu disse, mas fiquei morrendo de pena ao vê-lo fazer aquela carinha de "é, eu sei". Enfim, coisas da vida. Fui lá fazer os alongamentos inúmeros e a série de fortalecimento: seis quilos e meio só para esticar o joelho. E tudo ele fazia, resignado. "Vou ficar bom", ele sempre fala.

Daí, tomei coragem. "Fulano, vamos jogar bola". E eu fui, delicada e branquinha, quase arrependida mas decidida a jogar bola com meu paciente dentro do ambulatório. Confesso que meu negócio é escrever mesmo, puxa vida, mas ele estava tão feliz! E eu, mandona: "toca a bola para mim!", um segundo antes de me arrepender do exercício, já que eu sou perna de pau assumida e saía correndo atrás da bola que ele mandava; "vou chutar a bola, você corre atrás e volta com ela", e voltava ele, feliz da vida, com a bola no pé e sorriso no rosto.

Suei e fiquei ofegante. Ele, só riu. E me disse assim, com dois olhos grandes de homem com um menino por dentro: "você está me fazendo lembrar do quanto eu gostava de jogar futebol". Ganhei o dia.
 
Amigo, tu e eu seremos estranhos nesta vida, estranhos um ao outro e a nós mesmos, até o dia que falares e eu te escutar, crendo que tua voz é a minha, até o dia em que eu ficar diante de ti acreditando estar ante um espelho.
lelecadasilva@hotmail.com

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